Adoção: Um ato social ou de amor?
 

Por Ana Luiza Madeira

Quando uma pessoa fala que quer “comprar” um cachorro, a primeira dúvida, que rapidamente se transforma em pergunta é: “de qual raça?”
E é justamente aí que fica uma segunda pergunta: por que tem que ser de raça?

Vivemos em um mundo onde diariamente nos deparamos com animais de rua, cachorros judiados, magros, perambulando pelas calçadas à procura desesperada de um saco de lixo onde talvez possa existir um “restinho” de não sei o quê, para que mate sua fome temporariamente.

Isso sem contar nos safanões, vassouradas e baldes de água fria (e às vezes quente!) de que acabam sendo vítimas. A propósito é uma vitimização dupla: a primeira por já terem que viver à própria sorte, sem abrigo, sem uma caminha aconchegante pra descansarem, sem água potável disponível, sem comida; a segunda, por não raras vezes serem judiados justamente quando estão tentando rasgar um saco de lixo devido a um “cheirinho interessante” que pode ser sinal de comida.

Ora, se as pessoas não querem que lixos sejam revirados, por que colocam alimentos que sabem ser atrativos para animais de rua? O que custa colocar, à parte, em um saquinho menor (caso não queira colocar em um pratinho de plástico que seja), para facilitar? Pode soar absurdo, mas já não fazem isso quando colocam “lixo seco” nas lixeiras das suas casas, justamente para evitar que papeleiros passem por ali e façam um escarcel em suas calçadas? Ou só eu já me deparei com essa cena? É tudo questão de educação, conscientização.

Mas voltando à adoção...
Um pai e uma mãe não vão amar seus filhos pela cor da pele, dos olhos, dos cabelos. Amam porque amam, porque são seus! Por que seria diferente com um cachorro ou um gato?

Por isso, pergunto: por que comprar quando se pode adotar? Pela “raça”? Mal sabem as pessoas que em abrigos existem inúmeros animais de raça que em alguma circunstância da vida foram abandonados à própria sorte ou na porta de alguém que sabem que gosta de animais e por isso os acolhe. Somam-se a esses, os coitadinhos que foram utilizados de forma nojenta e irracional pelo tal “ser humano”, apenas para procriar e fazer dinheiro, e quando o bichinho já está ficando fraco, velho, é “dispensado” como se fosse uma roupa velha ou um sapato que aperta o pé.

E o que há de errado com os famosos “vira latas”? Eu tenho uma, que foi adotada, é “manca”, com poucos dentes bons e que entrou na minha vida com otite e berne, apática e com o passar dos dias se transformou de uma maneira tal que hoje (sempre foi, mas agora “é demais!”), pra mim, é uma princesa, uma linda alminha, uma companheira indescritível, uma filha cheia de manias, mimada, humanizada (estraguei a bichinha mas não me arrependo) e mais carinhosa do que os cachorrinhos que eu tive antes dela (Negrinho e Mike, quanta saudade e quanto amor eu ainda tinha pra dar pra vocês!) e isso tudo, tenho certeza absoluta, é fruto da “gratidão”.

Perdão àqueles que optam por comprar, mas quem tem um anjinho adotado sabe exatamente do que estou falando. Como não sou uma pessoa radical, não condeno quem os compre, mas entendo que diante da nossa realidade e diante da experiência tão indescritível que eu tive com a minha Vitória, recomendo: adote!

Como diz a famosa frase: ADOTAR É TUDO DE BOM e ao adotar um bichinho, a pessoa não está apenas levando um amigo pra casa (o mais fiel que alguém poderia ter), mas também salvando uma vida!
Contudo, fica o lembrete: a adoção tem que ser acompanhada de posse responsável! É pra amar, cuidar e jamais, jamais se desfazer desse novo membro da família porque ele está demorando um pouco para aprender a fazer xixi no local certo, ou porque estragou uma almofada, ou porque deu uma rosnadinha, ou porque surgiu bebê humano na casa! Crianças urinam nas roupas durante o período de “largar as fraldas” (sem contar os gurizinhos que urinam nas mães durante as trocas de fraldas), fazem bagunça na casa, gritam, passam pela fase de querer dar tapa na cara dos pais e nem por isso são descartados como se fossem “coisa”.

Ah, tá! Estou comparando crianças com cães? Sim, estou. Ambos são inocentes que não pediram pra vir ao mundo, mas que já que chegaram merecem nosso amor, nossos cuidados, pois ao levarmos uma vida pra dentro das nossas casas, no caso dos “filhos caninos e/ou felinos”, inevitavelmente acabamos nos tornando responsáveis por ela, até que Deus decida quando ele é quem vai querer compartilhar dessa companhia/amizade tão pura como a que eles nos proporcionam.

A propósito, como estou falando de posse responsável, o argumento serve para qualquer bichinho que esteja sob nossos cuidados.
Apenas para finalizar, enfatizo que quando as festas de final de ano chegarem e as férias aparecerem com perspectivas de viagens legais, ao invés de abandonar teu AMIGO na redenção, nas praças da cidade ou na praia, o hospede em algum hotelzinho e vá se divertir! Na volta, ele continuará lá, te esperando (sem entender bem o porquê de também ter que te aturar o ano inteiro - com alterações de humor- e ficar de fora da melhor parte que é a viagem, mas enfim...) com a maior festa e o amor de sempre, pois nenhum ser tem o maior poder do “perdão” do que um cachorro!

Minha amada vó Jura sempre me ensinou: “as pessoas que não gostam de animais, não têm coração bom”.

Por acreditar nisso, digo, sem receio algum e, doa a quem doer, gente assim não tem lugar na minha vida e tampouco no meu coração.

 
Voltar